Compost Barn Gado Leiteiro

Compost Barn e a produtividade leiteira

Autora: Zootecnista Analice M. Brigatti.

O tipo de instalação usada para vacas leiteiras tem forte influência nos resultados de produtividade e sanidade do rebanho, bem como sobre a qualidade do leite obtido. Vários fatores devem ser considerados ao planejar as instalações, visando principalmente a obtenção de conforto térmico, espaço físico adequado, espaço de cocho, tipo de piso, entre outros. Para Brito et al. (2009), as instalações devem proporcionar condições de higiene, sanidade e eficiência no manejo, além de simplicidade, para que os custos sejam reduzidos e os animais possam explorar todo seu potencial genético.

No Brasil, devido a grande oferta forrageira, os sistemas de criação de gado leiteiro possuem o pasto como principal base alimentar, porém, baixos índices de produtividade são comuns nesse sistema, principalmente em razão da estacionalidade na produção forrageira das gramíneas tropicais. Dessa forma, os produtores de leite tem se interessado cada vez mais em confinar suas vacas, sendo destaque o uso dos sistemas Free Stall e de piquetes. Porém um novo sistema de confinamento para bovinos leiteiros, criado nos Estados Unidos está ganhando espaço entre produtores brasileiros. Trata-se do “Compost Barn”, um modelo instalação que visa o máximo conforto e bem estar dos animais e, consequentemente, o aumento dos níveis de produtividade.

O Compost Barn foi criado por produtores de leite norte americamos, em meados da década de 80, mas apenas em 2001 começou ganhar adeptos em maior escala, porém no Brasil o sistema ainda está surgindo e existem poucos materiais a respeito do assunto. O Compost Barn consiste em uma grande área coberta de descanso para vacas leiteiras, geralmente revestida com uma cama de serragem, aparas de madeira e esterco compostado, e seu princípio básico de funcionamento é a compostagem desta cama. O principal objetivo é proporcionar aos animais, um local confortável e seco durante todo o ano. Alguns produtores que utilizam o sistema relatam inúmeras melhorias como, maior conforto para as vacas, além de terem vacas mais limpas, redução de problemas de perna e casco, diminuição da contagem de células somáticas (CCS), aumento da detecção de cio, aumento na produção de leite, menor odor e incidência de moscas, além de melhores condições de trabalho aos produtores.

É importante destacar que o sucesso do sistema depende principalmente do manejo da cama, que consiste em seu revolvimento pelo menos duas vezes ao dia, geralmente nos horários de ordenha das vacas. Quando a compostagem é realizada de forma correta ocorre aumento da temperatura da cama, com redução da umidade e melhoria do processo de compostagem. Outros fatores que devem ser considerados são a escolha do local da instalação, para ter boa ventilação natural, observação do deslocamento do sol, e drenagem da água em períodos chuvosos, além de evitar a superlotação do local. O manejo inadequado pode levar a condições indesejáveis da cama, resultando em vacas sujas e aumento da incidência de mastite clínica e contagem de células somáticas.

Compost Barn

Estudos realizados na Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, mostraram mudanças com relação ao conforto dos animais, assim como impacto na produtividade e longevidade do rebanho. Os estudos mostraram menor incidência de problemas de casco nas vacas, com um percentual de 8% nas vacas criadas no sistema Compost Barn contra valores de 20 a 28% em propriedades no sistema Free-Stall (Barberg et al., 2007). Isso se deve ao fato de os animais ficarem sobre uma superfície mais macia, além de permitir maior liberdade para se locomover e deitar. Em consequência da redução dos problemas de casco, houve também a melhoria na detecção de cio por parte dos tratadores, sendo que as taxas de detecção aumentaram de 37% para 41% e as taxas de concepção de 13% para 17%, no sistema Compost Barn quando comparado ao Free-Stall (Barberg et al., 2007). Houve também melhora na qualidade do leite obtido, já que os índices de CCS e incidência de mastite foram reduzidos devido a redução da carga microbiana das camas e melhoria das condições higiênicas das vacas, além de um ambiente mais confortável que promove o melhora do sistema imune dos animais.

Produtores brasileiros que já utilizam o sistema tem mostrado satisfação com os resultados, visto a fácil adaptação dos animais e o custo significativamente menor que o Free Stall, além de terem uma nova oportunidade de renda através da venda do composto orgânico gerado pela cama, tratando- se de um adubo de excelente qualidade. Além disso, ocorre a redução do acúmulo e descarte de dejetos da produção, que resultariam em custos de armazenamento e mão de obra. O Compost Barn é uma boa opção para produtores que não possuem grandes áreas disponíveis para desenvolver a atividade leiteira, pincipalmente em locais onde a agricultura familiar é predominante. Mas vale ressaltar, que o Compost Barn, assim como todo sistema de confinamento, exige cuidados e a observação de orientações técnicas para que sejam obtidos resultados positivos do ponto de visto produtivo e econômico.

Literatura consultada

BRITO, A. S., F. V. Nobre, J. R. R. Fonseca. Bovinocultura leiteira: informações técnicas e de gestão. SEBRAE/RN. 320 p. 2009.

Barberg, A. E., M. I. Endres, and K. A. Janni. “Compost dairy barns in Minnesota: A descriptive study.” Applied Engineering in Agriculture, 23:2, 231-238, 2007.

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