Boi a Pasto Sal Mineral

7 frases absurdas sobre o uso de sal mineral para bovinos

Autor: Sergio Raposo de Medeiros (Pesquisador – Embrapa Gado de Corte)

O termo mineralização ou suplementação mineral do rebanho é vastamente conhecido na pecuária de corte brasileira. No entanto, a falta de conhecimento sobre a utilização de sal mineral para bovinos ainda é algo grande em meio à pecuária. Por isso, escrevemos este artigo para eliminar 7 frases absurdas que provavelmente você já ouviu em conversa com outros profissionais ou pecuaristas.

Frase nº1 “O animal sabe que mineral precisa consumir!”

Dizer que o animal sabe o que precisa nos dias de hoje é ignorância, no sentido de ignorar estudos e pesquisas que comprovam que o animal não é seletivo aos minerais em deficiência no seu organismo, o que demonstra a necessidade de seres humanos colocarem de forma balanceada todos os minerais essenciais em um suplemento para que os animais consumam.

Frase nº2: “Todo sal mineral é igual!”

Qualquer sal mineral é composto por diversos elementos. Comprar e misturar esses elementos não é nada assustador hoje em dia. Isso por si só já faz um sal diferente de outro. A mistura dos elementos pode variar muito, a formulação e concentração dos diferentes minerais com certeza não será exatamente igual. Além disso, se o sal não é bem formulado, não será eficiente em seu uso, mesmo que os animais consumam, não terão suas exigências de minerais supridas e por conseqüência o objetivo do uso do mesmo não será atingido. Outro ponto importante é a questão da matéria prima, ao comprar de diferentes fornecedores é possível encontrar diferenças significativas na composição delas, este problema pode ser minimizado com análises laboratoriais. Pra finalizar, é importante destacar que o apoio técnico das empresas aos produtores também ajuda bastante e o resultado do uso de sal mineral pode ser afetado pelas orientações recebidas.

Frase nº3: “Pra que gastar com sal mineral? Meu vizinho parou de usar e não viu diferença nenhuma!”

Em alguns lugares do Brasil, onde a fertilidade natural é alta, talvez demore um pouco mais para que essa frase vá por água abaixo. Se colocarmos as exigências dos animais em comparação com os níveis de minerais em forragens brasileiras, veremos ano após ano a lacuna entre eles crescer e se em cima disso colocarmos o melhoramento genético dos animais e a evolução no manejo de pastagens, essa frase afundará com ainda mais velocidade. Por isso, a suplementação mineral ajuda no aproveitamento do potencial da forragem e consequentemente nos resultados da fazenda.

Frase nº4: “As empresas adicionam palatabilizantes para que os animais comam mais”

Que o consumo de suplementos minerais é de interesse das empresas, isso ninguém pode negar, se os animais consomem mais, maiores serão as vendas do produto. No entanto, seria um “tiro no pé” para a empresa empregar a adição de palatabilizantes em excesso nos suplementos minerais, pois rapidamente ficariam taxados e os compradores mudariam de fornecedor. Sendo assim, o maior prejudicado nesse processo seria o produtor, pois ao não suplementar, continuaria tendo animais com deficiências de minerais. Pesquisas demonstram que os palatabilizantes ajudam a uniformizar o consumo.

Frase nº5: “Nem adianta mineralizar sem cocho coberto!”

O ideal no tocante ao bom consumo por parte dos animais, é que os cochos sejam bem localizados, bem construídos e cobertos, agora se isso não for exatamente o que se encontra na fazenda, é importante garantir pelo menos que haja espaço linear de cocho para os animais (mínimo de 6 cm lineares de cocho por unidade animal), pois não garantir esse espaço é pior que ter um cocho com sal molhado pela chuva. Assim, vale mais a pena que os animais tenham acesso ao sal molhado do que não ter acesso nenhum a suplemento mineral. Caso não haja cobertura, é necessário também um controle mais apurado e monitoramento periódico para que o sal não fique empedrado e o consumo reduza.

Frase nº6: “O melhor sal é aquele que tem maior concentração de minerais!”

Geralmente, quando o produtor olha o nível de garantia de dois ou mais produtos similares, ele escolhe aquele que tem os níveis de garantia mais altos, pois se eles têm concentrações mais elevadas, os animais terão mais daqueles minerais disponíveis. Agora o que complica essa forma de raciocínio, é o consumo dos animais, se o produtor trabalha com um produto que tem uma concentração mais alta e um consumo mais baixo, talvez os animais estejam tendo o mesmo acesso quando comparado a uma situação onde a concentração é menor mas os animais consomem mais do produto. Dessa forma, é importante lembrar que o animal não sabe a diferença entre as concentrações, ele não consome concentrações e sim sal.

Frase nº7: “A mineralização só faz diferença na seca!”

O mercado de suplementação mineral começa a aquecer conforme a época das secas vai chegando e isso mostra claramente que os produtores se preocupam com o déficit na ingestão de minerais devido a baixa qualidade da forragem. No entanto, esse pensamento está equivocado, pois não adianta fornecer somente minerais, quando o que está realmente faltando nesse caso é proteína. Pesquisas mostram não haver grandes diferenças entre fornecer o sal branco e o sal mineral na época das secas, pois as exigências de minerais nessa época para que os animais mantenham o peso é tão baixa que os minerais existentes nas pastagens são suficientes. O que merece real destaque é a necessidade de nutrientes para uma maior produção, por isso a preocupação com suplementação mineral deve acontecer principalmente na época das águas, na época das secas o uso de sal com uréia e proteinado deve resolver os fatores mais limitantes.

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